quarta-feira, 14 de março de 2007

Rosa do Povo


"Mas o homem perdeu o sono de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno também serve pra furtar a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico, polícia não bota a mão neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue, a manhã custa a chegar, mas o leiteiro estatelado, ao relento, perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada, no ladrilho já sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos, mal redimidos da noite, duas cores se procuram , suavemente se tocam, amorosamente se enlaçam, formando um terceiro tom a que chamamos aurora. "


*trecho do poema: MORTE DO LEITEIRO (Carlos Drummond de Andrade)
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A Rosa do Povo compõe-se de 55 poemas e é o livro mais longo de Drummond. Feito em 1945 é o primeiro fruto maduro de sua obra e a maior expressão do lirismo social drummondiano e modernista.O questionamento da própria poesia encaminha-separa sua formulação mais densa: a arte poética de "procura da poesia", que define os contornos de toda sua obra posterior e baliza as direções da lírica moderna, que o poeta exerceu em seu sentido mais amplo.

4 comentários:

Unknown disse...

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos drummond....cacá para os intimos...

Eduardo Scudeler disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eduardo Scudeler disse...


Bela como tua aurora,
Que as cores se radiem por dentro de ti,
Assim como Deus faz no céu.
Marília,
que elas morem em você.

Diretamente de Pópoeta!
Amo Vc, Bjãoo!

Geruza Zelnys disse...

lindossssssssssssss
como só consegue ser
essa imagem do alvorecer

G.