quarta-feira, 2 de maio de 2007

João Cabral de Melo Neto



A Carlos Drummond de Andrade
Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.

Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.

Não há guarda-chuvacontra o tédio:
o tédio das quatro paredes,
das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.

Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.

Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.

Um comentário:

Geruza Zelnys disse...

lindooooooooooooo!
q profundidade nessas palavras tão cotidianas, não é...
palavras do dia a dia, tão gosto de feijão com arroz e o cara tira essa vitamina pra nossa emoção
loucura!!!!!!!!!!!!!!!!!
viu só porque ele é tão aclamado?!
bj
G.