sábado, 1 de setembro de 2007

Macunaíma - Mario de Andrade



Macunaíma é, sem dúvida a cara da chegada do Modernismo no Brasil. A fúria demolidora que caracterizou a primeira fase do nosso Modernismo (1922 – 1928) está aí em todos os sentidos: a estrutura do romance e a língua, principalmente, vem aí barbaramente violentadas na sua feição tradicional e acadêmica.

o modernismo é fruto da crise moral e espiritual alastrada pelo mundo ocidental cujo desfecho clamoroso foi a primeira grande guerra (1914 – 1918). Existiram também outras formas de expressão:
a) Futurismo (Marinetti, 1909): Cultuando o presente na sua modernolatria, o Futurismo apregoava a destruição sistemática dos valores passados e tradicionais (antipassadismo), chegando-se mesmo ao exagero de queimar bibliotecas e museus.


b) Dadaísmo (Tzara, 1916). É outra expressão da "fúria demolidora". Seu princípio essencial é, tal como no Surrealismo, o apelo ao subconsciente, pretendendo, pelo escárnio, pelo irracionalismo, pelo acaso, pela intuição, abolir a sociedade, a cultura e a arte tradicionais, a fim de encontrar a realidade autêntica.


c) Surrealismo (Bréton), 1924). Caracteriza-se o Surrealismo pelo anti-realismo, pela aspiração ao absoluto, pelo recurso do inconsciente, pela recusa à inteligência lógica para atingir a autenticidade do ser. É "puro automatismo psíquico", como definiu o chefe do movimento André Breton.


De uma forma ou de outra, esses movimentos influíram na formação e fixação do nosso Modernismo, embora este movimento pretendesse alienar-se da cultura européia: "– Paciência, manos! não! não vou na Europa não. Sou Americano e meu lugar é na América. A civilização européia de certo esculhamba a inteireza do nosso caráter" – é o que declara o herói da nossa gente, Macunaíma (cf. Macunaíma, p. 145).

Um comentário:

Geruza Zelnys disse...

adoreia a foto do Grande otelo!
bj
G.